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Nosso intuito é divulgar Portugal de forma a torná-lo ainda mais conhecido por nossa gente, e internacionalmente através da sua história, arquitetura, gastronomia, belezas naturais e manifestações culturais.

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Etnografia da Nazaré

02.05.18 | TZLX

Artesanato

O artesanato nazareno evidencia a ligação da terra ao mar, e talvez por isso as miniaturas dos típicos barcos e das bonecas são as que mais se destacam.

Pequenos barcos, em madeira ou cerâmica, reproduzem, por vezes à escala, os batéis que noutros tempos foram a vida desta praia. Também as pequenas bonecas, vestidas com o traje de festa ou de trabalho das mulheres da Nazaré e os mini pescadores, de barrete e ceroulas, fazem as delícias de miúdos e graúdos.

As redes, de vários tamanhos, feitios e para diversos usos – decorativo e/ou utilitário – fazem parte dos trabalhos manuais dos pescadores nazarenos.

Terra de artistas e hábeis artesãos, facilmente se encontram quadros a óleo e aguarela retratando a vivência e as paisagens do nosso litoral, bem como a arte (nós) de marinheiro.

No concelho, em Valado dos Frades, destacam-se as artes decorativas ligadas à cerâmica, porcelana e faiança (com peças de decoração e utilitárias - pintadas manualmente), sobretudo em Valado dos Frades. Em Famalicão, são os trabalhos de cestaria, em vime e palha de bunho, que podemos admirar.

 

Artesanato do Concelho da Nazaré:

Barcos Regionais

Bonecas Típicas

Pintura

Gravações em Madeira

Trabalhos em Madeira

Barcos em Fibra de Vidro (Traineiras)

Arte de Marinheiro (Nós)

Quadros com Barcos Regionais (Meios cascos)

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Artesanato do Círio da Casa do Artesão do Espaç

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As sete saias

 

As sete saias fazem parte da tradição, do mito e das lendas desta terra tão intimamente ligada ao mar.

O povo diz que representam as sete virtudes; os sete dias da semana; as sete cores do arco-íris; as sete ondas do mar, entre outras atribuições bíblicas, míticas e mágicas que envolvem o número sete.

De facto, a origem não é de simples explicação e a opinião dos estudiosos e conhecedores da matéria sobre o uso de sete saias não é coincidente nem conclusiva. No entanto, num ponto, todos parecem estar de acordo: as várias saias (sete ou não) da mulher da Nazaré estão sempre relacionadas com a vida do mar.

As nazarenas tinham o hábito de esperar os maridos e filhos, da volta da pesca, na praia, sentadas no areal, passando aí muitas horas de vigília.

Usavam as várias saias para se cobrirem, as de cima para protegerem a cabeça e ombros do frio e da maresia e as restantes a taparem as pernas, estando desse modo sempre “compostas”.

A introdução do uso das sete saias foi feito, segundo uns, pelo Rancho Folclórico Tá-mar nos anos 30/40, segundo outros pelo comércio local no anos 50/60 e ainda de acordo com outras opiniões as mulheres usariam sete saias para as ajudar a contar as ondas do mar (isto porque “ o barco só encalhava quando viesse raso, ora as mulheres sabiam que de sete em sete ondas alterosas o mar acalmava; para não se enganarem nas contas elas desfiavam as saias e quando chegavam à última, vinha o raso e o barco encalhava”).

 O uso de várias saias, pelas mulheres da Nazaré, também está ligado a razões estéticas e de beleza e harmonia das linhas femininas – cintura fina e ancas arredondadas, (esta poderá ser também uma reminiscência do traje feminino de setecentos que as damas da corte usavam - anquinhas e mangas de renda - e que pavoneavam aquando das visitas ao Santuário da Senhora da Nazaré), podendo as mulheres usarem 7, 8, 9 ou mais saias de acordo com a sua própria silhueta.

Certo é que a mulher foi adotando o uso das sete saias nos dias de festa e a tradição começou e continua até ao presente. No entanto, no traje de trabalho são usadas, normalmente, um menor número de saias.

 

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Folclore

A originalidade do folclore da Nazaré advém, sobretudo, do forte e bem marcado carácter dos nazarenos.

Dançam o vira – que sendo de origem nortenha ganhou aqui movimentos e características rítmicas únicas – bem como o corridinho (vindo do Algarve e transformado ao ritmo dos nazarenos), com tanta energia que deixa bailadores e assistência sem fôlego.

Dançam e cantam ao mesmo tempo, sem coro ou música gravada, com alegria e graciosidade. Um “bailado” de ritmo e cor.

Dançam descalços, como dançavam, na praia, pescadores e peixeiras, ao som dos rudimentares instrumentos usados nas festas da classe piscatória – que à falta de melhor, tocavam com duas pinhas, uma garrafa com garfos e um cântaro de barro batido com um abanador – aos quais, posteriormente, foram juntando o harmónio, a concertina (e depois o acordeão) e o clarinete, que a tocata utiliza.

As letras e músicas do folclore nazareno reflectem a forte ligação desta gente ao mar e à faina da pesca, gente esta que vivendo quase sempre na incerteza do futuro, têm a capacidade de viver com um sorriso nos lábios, desafiando as reviravoltas da vida.

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Velha Guarda do Folclore da Nazaré - Vira da Nazaré

 

 

Peixe Seco

 

A tradição de secar o peixe pescado em excesso é de origem pouco conhecida, mas julga-se que seria a melhor maneira de o conservar para os dias de escassez. Desta forma as peixeiras garantiam sustento para as famílias, mas também lhes permitia ter peixe para vender noutros mercados.

As espécies mais utilizadas são o carapau (de vários tamanhos), os batuques, a sardinha, a petinga e o cação (leitão = cação pequeno), devido à sua abundância, mas também o polvo.

Há duas formas de secagem: o peixe seco e o peixe enjoado, com características de preparação e consumo diferentes.

O peixe é primeiro amanhado (processo de tirar as tripas), depois é lavado e passado por uma salmoura, feita com água e sal grosso (outrora era utilizada água do mar). Por fim é aberto ou escalado, estendido nos paneiros e posto ao sol. A secagem demora entre 2 a 3 dias, dependendo das condições atmosféricas e da temperatura do ar. Este tipo de peixe pode ser comido cru (desfiado), mas é normalmente cozido, acompanhado de batata cozida (com pele) e regado com azeite e vinagre ou sumo de limão e alho picado.

O peixe enjoado é preparado da mesma maneira, mas passa apenas 1 dia ao sol, de maneira que fica apenas meio seco ou enjoado. A espécie mais utilizada para esta secagem é o carapau de tamanho médio. Normalmente é grelhado, acompanhado de batata cozida, regado com azeite e vinagre ou com uma cebolada.

O polvo é muito apreciado cozido, em arroz e em saladas, mas é igualmente consumido cru. O cação seco é, normalmente, cozido tal como o carapau e os batuques. A petinga e a sardinha, por serem peixes gordos, são assadas na brasa.

Cada espécie de peixe tem uma forma diferente de secagem. O carapau, os batuques e o cação são abertos ou escalados, mas a petinga e a sardinha já são secas inteiras (sem tripa, escama e cabeça), bem como o polvo.

Os paneiros, onde o peixe é colocado a secar, são grandes retângulos de madeira, onde é aplicada rede de pesca (das redes da arte xávega) esticada, de modo a que o ar circule e seque o pescado.

É a sul da praia, quase em frente ao Centro Cultural da Nazaré (onde funcionou a Lota entre 1961 e 1986), que se encontra o Estindarte (estendal) de secagem de pescado, onde as várias peixeiras secam e vendem diretamente, aos locais e aos visitantes, o peixe ali exposto. Este é o ponto de encontro ideal entre peixeiras e consumidores, visto que esta especialidade gastronómica dificilmente se encontra nos restaurantes da vila.

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