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Mais Portugal Turismo

Nosso intuito é divulgar Portugal de forma a torná-lo ainda mais conhecido por nossa gente, e internacionalmente através da sua história, arquitetura, gastronomia, belezas naturais e manifestações culturais.

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Nosso intuito é divulgar Portugal de forma a torná-lo ainda mais conhecido por nossa gente, e internacionalmente através da sua história, arquitetura, gastronomia, belezas naturais e manifestações culturais.

Pavilhão de Portugal – Parque da Nações, Lisboa (Portugal).

24.04.18 | TZLX

Edificado no âmbito da Expo '98, o Pavilhão de Portugal, desenhado pelo arquitecto Siza Vieira, deveria constituir um espaço simbólico, que se coadunasse com as funções de recepção e de espaço expositivo, a desempenhar no decorrer da Expo, mas que, após o seu encerramento, pudesse ser compatível com outras funções à época ainda não definidas. É o próprio arquitecto quem refere as dificuldades colocadas por um programa que se pautava pela inexistência de referências, pois assistia-se, em simultâneo, ao nascimento de toda uma nova área urbana. Inicialmente, pensou-se implantar o edifício no eixo da doca, mas a opção por deslocá-lo para o "bordo da doca, no ângulo noroeste - como uma grande nave solidamente ancorada", permitiu ultrapassar a questão da "pedra fundadora" (a ponta do fio da meada que constrói um projecto)" (VIEIRA, 1998).
Para perceber o projecto, socorremo-nos da memória descritiva escrita por Siza Vieira, que refere ainda a interacção do Pavilhão de Portugal com o "do Conhecimento dos Mares e com o edifício construído ao longo da Avenida Marginal [que] definem um amplo espaço público ribeirinho, retomando um tema secular da cidade de Lisboa" (IDEM).
O edifício é formado por dois corpos - uma praça coberta, denominada por Praça Cerimonial; e um edifício de dois pisos e cave, estruturado em função de um pátio interior, apresentando um outro pátio a Norte. O primeiro, de sentido horizontalizante, é definido por dois pórticos de betão, entre os quais se desenvolve uma lâmina de betão armado, suspensa por cabos de aço. O segundo, um pouco mais elevado, apresenta a configuração já referida e as suas fachadas caracterizam-se por um abertura regular dos vãos. O alçado virado ao rio é antecedido por um pórtico de colunas, que suportam uma pala, e que se articulam com as fenestrações e com a varanda que percorre toda a fachada.
Do lado oposto, destacam-se as janelas de sacada do piso superior, caracterizando-se todos os vãos por linhas depuradas. Já a fachada Norte, na diagonal, "acentua a abertura do eixo urbano da Estação do Oriente à Doca dos Olivais. Mas curiosamente, os muretes, que parecem referir-se a alinhamentos de buxo dos jardins de solares e de palácios, adossam e contrariam parcialmente esta afirmação de abertura" (AA.VV., 1998, p. 123).
Muito se tem escrito sobre esta obra de Siza Vieira, vencedora, aliás, do Prémio Valmor em 1998, sendo uma constante a referência aos traços históricos que a mesma encerra, se bem que "combinados com rasgos modernos, como o lençol de betão" (IDEM, 124). Se, por um lado, se observam referências à tradição clássica nos pórticos e ritmos das janelas, a organização interna em função de uma espécie de claustro recorda a arquitectura conventual (IDEM, p. 124).
Por sua vez, Kenneth Frampton, numa das mais completas monografias sobre o arquitecto português, alude à escala monumental do Pavilhão de Portugal, onde, segundo este autor, Siza fez confluir duas imagens imperiais antitéticas. Mas as referências a arquitectos como Le Corbusier, Oscar Niemayer, a Giuseppe Terragni ou mesmo ao programa da Nova Monumentalidade de 1943, são algumas das linhas interpretativas sugeridas por Frampton (2000, pp. 54-55).
Durante a Expo '98, o projecto expositivo, que deveria evocar os descobrimentos portugueses e a conquista dos Oceanos, esteve a cargo de Eduardo Souto Moura, funcionando um restaurante, café e bar no restante espaço. Foi, posteriormente, palco de várias exposições e, desde então, muitos têm sido os destinos apontados para este imóvel que permanece, todavia, sem uma função específica. O que não impede que se mantenha com um dos mais representativos edifícios desta área da capital, marcando fortemente a paisagem e constituindo um símbolo para Lisboa e para o país.
(Fonte: Rosário Carvalho, IGESPAR IP)

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